quinta-feira, 24 de março de 2011

Ser alguém

[se o palhaço estivesse atuando aqui, seria interessante pelo fato de alterar seu valor simbólico por suas expressões, botando em conflito teu símbolo.
Por confiarmos de mais no símbolo, acreditamos que o palhaço aqui está agindo de forma natural com o que pretende em seus sentimentos, mas... e se não for? entende?]



Acho simplesmente incrível a atuação de certos atores. É notável como este incorpora e sente, simula o suficiente para transmitir os sentimentos do personagem, do qual está incorporando. Não é fácil.
Sentir algo que não é seu por instinto e sentimento é ao mesmo tempo ter de entender o personagem a ponto de absorver pensamentos dos quais seriam reais, se aquela situação dada fosse real. Não estou tratando de qualquer atuação, ou qualquer interpretação, mas sim daquela em que você, assim como eu, espectador sentimos o que há para sentir, conseguimos sentir o que era pra ter sentido. Onde o ator conseguiu atingir o ápice de sua espécie, de sua atuação.
Não basta apenas ver, você tende interagir no mundo, você tem que se sentir como ele, compreender sofrimentos e alegrias, que existiam apenas no papel. É uma outra criação, uma outra entidade, outra identidade. Acho impressionante. Até hoje foram poucos dos quais me convenceram, mas estes poucos são suficientes para justificar sua profissão.

Agora imagino o sentimento do ator, com o sentimento do personagem, os conflitos ideológicos, como ele reage dentro de si, sabendo que também pode ser quem quiser, como ele se auto-identifica, se há pensamentos do personagem nos pensamentos do ser que faz o personagem. Claro que pra isso tem de haver um personagem com sentimentos consistentes, e isso dá crédito para o redator, além pro ator.
Adoro imaginar esses conflitos internos procurando soluções e desafios.

Acredito no poder da atuação, no poder da escrita, no poder do ser humano.
Se você for capaz de ser ninguém, você será capaz de ser qualquer um nos dias atuais.
É comum nessa atual sociedade você ser adotado por alguém. Agora você ser ninguém, quando sabe que é muito mais e tem capacidade disso, é muito mais interessante. Escolher o nada por opção abrem as portas para o "tudo", vai além da compreensão, parte para o princípio de sentir.

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