quinta-feira, 7 de abril de 2011

Eternidade



Vamos falar de algo mais simples, mas não menos importante.
o que é eternidade?
Simples, tudo aquilo que seja eterno, que não acaba. Simples assim...
Enfim, o que vamos supor é a existencia de um ser humano eterno, do qual iremos analisar suas atuais visões sobre o restante.
Vamos aqui, ignorar os aspectos biológicos e vamos supor que este tem a mesma capacidade física e intelectual que nós, porém que ele nasceu numa época semelhante a de Moisés, ou mesmo antes.
Ou seja, estamos supondo que uma pessoa hoje, tem no mínimo 10 mil anos, pra mais.
O que é um dia pra ela? O que é uma noite?
Um piscar dos olhos.
Mudando da dimensão, é como se todo o nosso tempo tivesse sido alterado, onde mesmo vivendo cada dia, cada dia não é significativo, é como se o tempo, para nós, tivesse sido acelerado. Cada segundo é um dia, e ainda assim, não deixamos de viver esse segundo, mas ele sem perceber, foi insignificante.
Agora pense para alguém com 10 mil anos, onde viu toda a evolução humana e sua tecnologia sendo acrescentada no cotidiano do todos, que viu Moisés, Jesus, Buda, Gandhi, Martin Luther King, viu Nelson Mandela, viu tudo isso em apenas uma vida. Quais seus pontos de vistas comparado aos nossos quando se trata do extraordinário?
Dez anos para ele se torna um minuto, ou muito menos.
O que já foi pensando como sofrimento, foi considerado como incômodo.
Pense em Prometeu, que roubou o fogo de Zeus e foi castigado à eternidade, onde de dia um pássaro viria e comeria sua carne, e a noite prometeu se regenaria.
Não estou tratando o sofrimento, mas pense que isso, é como se agente pegasse o nosso dedo e ficasse encostando na perna o mais rápido possível. Pra ele, deve ser menos ainda que isso. Eternidade é MUITO tempo, muito mesmo. Qualquer padrão de tempo se torna ridiculamente insignificante. Não existe ano, não existe tempo, para ele. Não há nem padrão de tempo para ele mesmo, pois é eterno, e o padrão necessita de uma diferença, e ele não tem. Dez anos nossos, se torna 1 para ele, e depois, 1 ano, e depois 1hora, depois ele para e pensa em gerações, séculos, milênios. É muito tempo, e isso ainda é muito pouco para o que há de vir.
Ou seja, tudo que é legal, perde a graça, tudo que é chato, deixa de ser chato, tudo se torna simplesmente passageiro.
Ele pode desejar controlar as pessoas, mas depois, ele cansa, não importa se esse 'depois' pode ser equivalente há 500 anos nossos, mas pra ele foi um tempinho, perto do que tem por vir, ele já fez o que acharia ser legal, depois se torna entediante. Tudo se torna entediante.
Tudo se tornaria passageiro.
A dor seria passageira, como flash, assim como a felicidade.
Ele seria sábio com o tempo, podendo ter uma incrível habilidade de persuasão.
Agora, depois disso, pense no paraíso e no inferno.
Paraíso se tornaria entediante, assim como o inferno, pelo simples fato de ser eterno, é muito tempo, e com o tempo, você se acostuma, o ser humano é capaz disso. O paraíso se torna algo legal por um tempo, depois um lugar com poucas escolhas pra fazer, assim como o inferno, as dores diárias serão simples.
Ele vai pensar algo do tipo:
-ah, amanhã o flagelador chega umas 14 horas, me bate, depois volta, e você vai fazer o que amanhã?
Claro que isso foi um exemplo, mas consegue sentir a diferença?
O céu deixaria de ser céu, e o inferno deixaria de ser inferno, os padrões mudam totalmente. O cara é eterno, simples assim.
Pense que você no céu vai pensar:
-amanha volto do serviço, faço um almoço pra esposa, fazemos amor, ficamos juntos, e então durmimos.
depois de 300 anos, você irá se cansar dessa rotina, mas isso ai é o bonito e belo, é o céu, e você está preso, está fardado a isso.
O céu se tornaria um inferno?  Pela simples mudança do cotidiano, os valores seriam alterados?
O céu vira inferno, e o inferno vira o céu?
Entende? Os dois são a mesma coisa. Tudo vira tudo, e nada vira nada? Tudo vira um, e um se torna tudo?
Seria mais interessante que você simplesmente esquecesse tudo e começasse de novo, e começasse num lugar cheio de possibilidades, liberdade e interpretações diferentes, podendo sempre, haver mudanças.
Que é o nosso mundo.
Quando eu morrer, terei o prazer de voltar pra cá.
Posso sofrer o que for, depois voltarei e verei outra vista que pode ser boa ou não. No fim, conhecerei tudo, e esquecerei de tudo.
Se é que já não conheço tudo, mas não lembro.

aqui está o seu e o meu mundo, o nosso.
o seu céu e o meu inferno, o meu céu e o seu inferno, e o nosso céu e o nosso inferno.Aqui temos a possibilidade de ir pra lá e pra cá, de lá pra cá, de ficar aqui e lá, de ficar só aqui, e só lá, temos a possibilidade de não ter e de ter, de não dividir e de dividir...
de concluir e não concluir, de ser o que é e não ser.
Tudo é a mesma coisa, e a mesma coisa é tudo.
E pra eternidade, isso aí não é nada.

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